Biodiversidade

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Produtos Brasileiros Usam Ingredientes Transgênicos

Vanice Cioccari

    Testes realizados em 42 alimentos nacionais e importados mostram que 11 contêm ingredientes transgênicos (geneticamente modificados). O resultado foi apresentado hoje pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e pelo Greenpeace.

    Lotes de produtos foram examinados em laboratórios da Áustria e da Suíça. De acordo com o Idec, lotes de seis produtos diferentes apresentaram mais de 1% de transgênicos. O campeão foi o BacOs chips sabor bacon (importado dos Estados Unidos), com 8,7%. Os outros são: Cereal Shake Diet (alimento para dietas produzido pela Olvebra), Cup Noodles (macarrão instantâneo sabor galinha importado pela Nissin Ajinomoto dos EUA), creme de milho verde Knorr, ProSobee (importado do México) e salsichas Swift tipo Viena.

    A regulamentação dos transgênicos no Brasil não está definida, mas prevalece a decisão judicial que proíbe a produção e a comercialização de produtos geneticamente modificados no país até que sejam definidas regras e rotulagem adequados."Produtos importados com transgênicos são ilegais. O Governo está sendo omisso e as empresas estão infringindo mais de seis leis ao colocar esses alimentos na mesa do consumidor", afirmou a coordenadora executiva do Idec, Marilena Lazzarini.

Greenpeace Também Alerta e Promove Campanha Virtual

Comunicado do Greenpeace Brasil

São Paulo, 20 de junho de 2000

Alimentos Vendidos no Brasil Estão Contaminados com Transgênicos

    O Greenpeace lançou uma campanha de ativismo virtual através de seu site direcionada às empresas e às redes de supermercados na qual os consumidores internautas podem exigir dos  fabricantes e redes de supermercados para retirarem do mercado os produtos  contaminados com transgênicos.

    Testes feitos em laboratórios europeus a pedido do Greenpeace e Idec encontraram 11 produtos contaminados

    Análises encomendadas pelo Greenpeace e Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) em laboratórios europeus detectaram a presença de transgênicos em 11 lotes de produtos vendidos no Brasil. Entre os artigos estão o leite em pó Nestogeno, a sopa Knorr e as salsichas Swift, que estão contaminados com a soja geneticamente modificada Roudup Ready, da Monsanto, além das batatas fritas Pringles, que estão contaminadas com milho transgênico Bt, da Novartis.

    A comercialização no Brasil de alimentos com insumos geneticamente modificados é ilegal, já que não atende às exigências previstas na Lei de Biossegurança (lei número 8974 de 1995), e viola o Código de Defesa do Consumidor, que garante a clara informação da composição do produto no rótulo da embalagem. O Greenpeace vem denunciando e tem conseguido embargar a importação de matéria-prima transgênica como milho, soja, farinhas e proteínas. Entretanto, esta é a primeira vez que produtos ilegais para venda direta ao consumidor foram encontrados nas prateleiras de supermercados do país.

    Entre as possíveis conseqüências à saude humana e ao meio ambiente do uso de transgênicos compilados por cientistas estão o empobrecimento da biodiversidade, a eliminação de insetos benéficos ao equilíbrio ecológico, o aumento da contaminação dos solos e corpos d'água devido à intensificação do uso de agrotóxicos e desenvolvimento de plantas e animais resistentes a uma ampla gama de antibióticos e agrotóxicos.

    "Os fabricantes, importadores e distribuidores de alimentos devem imediatamente retirar das prateleiras estes produtos que oferecem riscos e são comprovadamente ilegais. Os supermercados, por sua vez, devem passar a exigir dos fabricantes e distribuidores comprovação da não contaminação por transgênicos antes de colocar quaisquer produtos a venda", diz Mariana Paoli, Coordenadora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace Brasil. "Falta também ao Governo Federal assumir a tarefa de fiscalizar a entrada e comercialização ilegal de alimentos transgênicos. É fundamental que a lei que garante a saúde da população e do ambiente seja cumprida".

    Esta é a relação dos produtos contaminados:

- Nestogeno, da Nestle do Brasil, fórmula infantil a base de leite e soja para lactentes contaminado com 0,1% de soja RR;

- Pringles Original, da Procter & Gamble, batata frita contaminada com milho Bt 176 da Novartis;

- Salsicha Swift, da Swift Armour, salsichas do tipo Viena contaminadas com 3,9% de soja RR;

- Sopa Knorr, da Refinações de Milho Brasil, mistura para sopa sabor creme de milho verde contaminada com 4,7% de soja RR;

- Cup Noodles, da Nissin Ajinomoto, macarrão instantâneo sabor galinha contaminado com 4,5% de soja RR;

- Cereal Shake Diet, da Olvebra Industrial, alimento para dietas contaminado com 1,5% de soja RR;

- Bac'Os da Gourmand Alimentos (2 lotes diferentes), chips sabor bacon contaminados com 8,7% de soja RR;

- ProSobee, da Bristol-Myers, formula nao lactea a base de proteína de soja contaminada com 1,9% de soja RR;

- Soy Milk, da Ovebra Industrial, alimento a base de soja contaminado com menos de 0,1% de soja RR;

- Supra Soy, da Jospar, alimento a base de soro de leite e proteina isolada de soja contaminado com 0,7% de soja RR.

    Mais Informações:

    Veja as fotos dos produtos, os laudos das análises e outras informações na campanha do Greenpeace.

Globo On, São Paulo, 20/Junho/2000

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