Biodiversidade
Brasil Defende em Reunião Internacional a
Não Rotulagem de Transgênicos
(São Paulo/Tóquio, 16/03/00) - O Greenpeace
denuncia que o Brasil está desrespeitando as leis e posições
do país na Reunião do Codex Nutririus, que termina
amanhã no Japão (1). O Brasil, Austrália e Nova Zelândia,
liderados pelos Estados Unidos, estão se opondo à rotulagem
de alimentos transgênicos.
Esse bloco de países também não
acha importante que a rotulagem permita a rastreabilidade de insumos transgênicos
em um produto processado. Além disso este pequeno grupo de
países se opõe à adoção do Princípio
Precautório, ou seja, evitar a importação e consumo
de certos produtos caso haja suspeita de danos ao meio ambiente e a saúde
humana. "Estes países insistem no conceito de 'Equivalência
Substancial' para a segurança de alimentos transgênicos, quando
este conceito não possui qualquer valor científico"
(2) afirma Mariana Paoli da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace
Brasil.
No fim de janeiro, em Montreal, o Brasil aprovou o Protocolo
de Biossegurança da ONU, apoiando o Princípio Precautório,
o qual permite a um país não aceitar a importação
de organismos geneticamente modificados em virtude dos riscos que estes
podem trazer para o meio ambiente e saúde humana. Mariana Paoli
afirma "A posição defendida pelo Brasil no Japão,
contraria tudo que o Brasil já vem aprovando internacional e nacionalmente".
O Ministério da Justiça já apresentou
normas sobre rotulagem, que foram objeto de consulta pública até
o início de março. Segundo o Greenpeace, a rotulagem de alimentos
transgênicos é fundamental para que a população
possa identificar o que está consumindo, direito que é garantido
pelo Código de Defesa do Consumidor. "Fora do país, o Brasil
está defendendo não a política do país, mas
os interesses das multinacionais de cultivos transgênicos, como Monsanto
e Novartis", afirma.
Mais informações:
Mariana Paoli - Coordenadora da Campanha de
Engenharia Genética do Greenpeace Brasil
Tel: (11) 3066-1184
Renato Guimarães - gerente de Comunicações
do Greenpeace Brasil
Tel: (11) 3066-1178 ou (11) 9900-7796
Nota do Editor:
(1) O conceito "Substancialmente Equivalente" supõe não haver
nenhuma diferença básica entre os alimentos transgênicos
e não transgênicos do ponto de vista da sua segurança
para o consumo humano, argumento que foi derrubado em artigo da revista
inglesa Nature porque trata apenas de comparar dados superficiais, excluindo
a análise de aspectos bioquímicos e toxicológicos
dos organismos.
(2) O Codex Nutririus é um órgão subordinado à
Organização das Nações Unidas para Agricultura
e Nutrição (FAO) e a Organização Mundial
de Saúde (OMS). Sua tarefa básica é estabelecer padrões
internacionais de segurança dos alimentos. Apesar de ter sido criado
entre 1961 e 1962, O Codex ganhou grande importância com a criação
da Organização Mundial do Comércio (OMC), que se refere
ao Codex como órgão neutro para elaborar padrões de
segurança apropriados. Isto significa que um país pode entrar
na OMC contra outro se os padrões de segurança estabelecidos
neste são maiores que os estabelecidos no Codex.