Fitoterapia
VII Encontro Nacional de Plantas Medicinais em Serviços
Públicos
(Setor Popular)
RECIFE (PE)
17 A 20 DE OUTUBRO DE 2000
LOCAL: SUDENE
O Centro Nordestino de Medicina Popular e os Grupos
Populares de Saúde do Grande Recife tem a honra de convidá-lo(a)
a participar do Encontro. Para juntos(as) reforcarmos parcerias entre comunidades,
prefeituras e universidades; lutar contra a biopirataria; implantação
da fitoterapia; socializar as informações obtidas pelos estudos
sobre plantas medicinais; inclusão da disciplina de fitoterapia
no currículo universitário da área de saúde;
reconhecimento, valorização e divulgação dos
trabalhos desenvolvidos pelas comunidades com plantas medicinais; reivindicar
financiamentos, para estudos e pesquisas relacionadas com as plantas medicinais.
Público Alvo: representantes dos grupos de
saúde popular, agentes comunitários de saúde, profissionais
da área de saúde, lideranças comunitárias,
autoridades (municipais, estaduais e federais), professores, ONG's e pesquisadores.
PROGRAMAÇÃO
Dia 17/10/2000 (Terça-Feira)
8:00 h - (Abertura) OLHANDO PARA NOSSA CAMINHADA
- Apresentação das experiências com plantas medicinais
nos estados.
14:00 h - Avanços, dificuldades e desafios
para a fitoterapia em serviços públicos. Palestra e debate
com Dr. Celerino Carriconde.
Dia 18/10/2000 (Quarta-Feira)
8:00 h. - Visitas aos Grupos de Saúde Popular
do Grande Recife.
14:00 h - Troca de experiências entre os participantes.
LOCAL: Ginásio da Associação
dos Funcionários da SUDENE.
Dia 19/10/2000 (Quinta-Feira)
Intercâmbio cultural com passeio à praia
de Itamaracá.
Dia 20/10/2000 (Sexta-Feira)
8:00 h. - Fitoterapia no Serviço Público
- Relação Prefeitura, Universidade e Comunidades.
PALESTRANTES:
Prof. Francisco Matos (UFCE)
Dr. Edson de Souza - Prefeito de Brejo da Madre de
Deus (PE)
Dr. Celerino Carriconde - Coordenação
Nacional de Plantas Medicinais em Serviços Públicos (setor
popular).
14:00 h. - Biopirataria, Bioprospecção
e Biodiversidade - Desafios para os Movimentos Populares. CONVIDADA: Senadora
Marina Silva
16:00 h. - Encaminhamentos, Eleição
da nova Coordenação Nacional de Plantas Medicinais em Serviços
Públicos (setor popular).
Avaliação do Encontro
Centro Nordestino de Medicina Popular
(CNMP)
Grupo Populares de Saúde do Grande Recife
Rua Cleto Campelo, 255 - Bairro Novo
Olinda (PE) - CEP: 53030-150
Tel. (81) 3439-5215 - FAX: (81) 3429-3517
A partir das apresentações dos estados
e das visitas aos cinco grupos populares de saúde da Região
Metropolitana do Recife o que mais esteve presente foi ...
AVANÇOS
- Aumentou a organização e articulação
de diversos grupos entre si e com outros atores sociais.
- Representantes de entidades e grupos que trabalham
com plantas medicinais estão presentes nos conselhos e ocupam espaços
nas conferências de saúde.
- Melhoria das farmácias vivas, relação
com a terra, de cooperação numa visão ecológica.
- Luta pela preservação das plantas.
- Melhoramento dos laboratórios (oficinas)
de manipulação, tanto do local quanto dos equipamentos. Além
de ter aumentado o número dos mesmos.
- Melhoria na qualidade da produção
dos fitoterápicos, atenção ao controle de qualidade,
acompanhamento do consumo médio mensal, padronização.
- Implantação do programa de fitoterapia
em algumas prefeituras e contatos para se implantar em outras.
- Articulação e entrosamento junto
ao Programa dos Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e o
Programa Saúde da Família (PSF)
- Crescimento do trabalho de prevenção
e educação e saúde, com o aumento das equipes de PSF.
- Alguns jovens estão se interessando pelas
plantas medicinais.
- Muita gente trabalhando plantas medicinais junto
com alimentação adequada.
- Maior reconhecimento da sociedade e dos poderes
públicos em relação as plantas medicinais.
- A fitoterapia está sendo mais dívulgada.
- Municipalização no SUS favorece mais
ao acompanhamento e ao controle por parte da população.
- Em algumas universidades se introduziu a disciplina
sobre fitoterapia nos cursos de formação de profissionais
de saúde.
- Já se tem maior clareza de que a fitoterapia,
além de ser mais segura, mais saudável é também
economicamente viável.
- Em algumas regiões tem-se conseguido estabelecer
parcerias entre o poder público, as universidades e a sociedade
organizada, relacionada às plantas medicinais.
DIFICULDADES
- Falta de estrutura fisica adequada à manipulação:
local e equipamentos
- Dificuldades econômicas: de captação de recursos,
geração de rendas, ampliação das vendas, pouca
inserção no mercado.
- Há poucas pessoas envolvidas, nos grupos, no trabalho com a saúde
através da fitoterapia
- Profissionais da saúde pouco ou quase nada conhecem sobre fitoterapia.
- Visão preconceituosa tanto dos profissionais como de parte da
população de que os remédios das plantas medicinais
é coisa de pobre ou é superstição (ligada à
questão cultural).
- Muita gente está viciada nos remédios químicos.
- A grande maioria das universidades está distante do povo, dos
grupos populares de saúde.
- A parceria com as prefeituras, governos estadual e federal, que não
têm um perfil democrático popular é sempre muito difícil
e normalmente não avança.
- Há pouco recursos para pesquisa relacionada à fitoterapia.
- Tem-se pouca assessoria técnica e apoio para quem quer atuar com
fitoterapia.
- O acesso as informações relacionadas à fitoterapia
é difícil, as pesquisas que existem estão restritas
às universidades e com um linguagem extremamente tecnicista, isto
é, linguagem não popular.
- Muitos conselhos de saúde enfrentam dificuldades quanto à
cooptação e pouco representam os interesses da sociedade,
não fazendo assim o controle social que lhe é devido. Há
prefeiturização e não municipalização.
- Há descontinuidade quanto à uma política de fitoterapia.
O que um governo faz o outro vem e destrói. Temos uma cultura política
politiqueira.
- Fitoterapia não é prioridade nos poderes públicos.
- Há pouco intercâmbio, troca de experiência neste campo.
- Pouca organização, mobilização e articulação
de sociedade para exercer a cidadania.
- Não se tem uma legislação que reconheça a
fitoterapia, o que dificulta sua implantação nos serviços
públicos.
- Não se têm farmácias vivas que possam atender o aumento
da demanda.
- Há pouca divulgação da fitoterapia.
DESAFIOS
- Fortalecer e consolidar o SUS, participando intensamente do controle
social, nos conselhos e conferências.
- Contribuir na capacitação de conselheiros(as) para uma
atuação mais articulada junto aos movimentos sociais.
- Estreitar relações com o Programa de Agentes Comunitários
de Saúde (PACS) e Programa de Saúde da Família (PSF),
ampliando o potencial educativo-preventivo e de promoção
à saúde.
- Avançar e aprofundar esta estreita ligação que existe
entre a fitoterapia e a alimentação adequada (segurança
alimentar)
- Ampliar a organização, mobilização e articulação
nos setores populares interessados neste trabalho e buscar novas parcerias
junto a escolas, universidade e poder público local.
- Ampliação dos recursos para a fitoterapia, tanto para implantação
de programas de fitoterapia nos municípios, como para pesquisas.
- Popularizar, informar e divulgar sobre as pesquisas que se tem sobre
as plantas medicinais.
- Utilizar boletins e rádios populares e comunitárias.
- Sensibilizar e capacitar em fitoterapia, profissionais da área
de saúde - médicos(as), agentes comunitários de saúde,
auxiliares de enfermagem e enfermeiros(as).
- Trabalhar as plantas medicinais tendo em conta que tem muito a ver com
a cultura do povo, que deve ser valorizada e resgatada.
- Lutar contra a biopirataria, o desmatamento e a extinção
de algumas plantas
- Viabilizar recursos financeiro para melhorar a infraestrutura dos laboratórios
(local e equipamento).
- Aumentar significativamente nossas vendas de fitoterápicos, visando
a sustentabilidade dos grupos e pessoas.
- Articular-se e mobilizar-se para que se faça uma legislação
que reconheça a fitoterapia e assim possa se fazer uma processo
mais ampliado de programa de fitoterapia nos municípios.
- Preparar-se para as oposições tanto dos donos dos laboratórios
como dos donos das farmácias.
- Buscar envolver mais jovens e outras pessoas, capacitando-as e sensibilizando-as
para o trabalho de saúde a partir das plantas medicinais.
- Ampliar o acompanhamento técnico aos grupos que trabalham com
fitoterapia (agrônomos, farmacêuticos, educadores) e outros
profissionais da saúde.
- Lutar por ações de promoção da saúde
(saneamento básico, alfabetização, etc.)
- Favorecer o intercâmbio e a troca de experiência neste campo.
- Realizar este trabalho sempre na perspectiva de fortalecer a cidadania.