Fitoterapia


 

Volta à Fitoterapia na Terapêutica Moderna

    No secular afã de buscar algo melhor e mais perfeito, o homem deixa algumas vezes o que é bom.  Encontramos isto em todas as atividades humanas, não sendo a tal fato estranha a própria medicina, que tem a honrosa missão de defender a nossa saúde.

    Em busca de novos medicamentos surgem, de tempos em tempos, novos rumos e pareceres em medicina. Assim, desde tempos imemoriais até o fim do século XVI da nossa era, a medicina sempre se utilizou, na maioria dos casos, das drogas vegetais; sendo este rumo o único, não necessitou de nome especializado. Os produtos químicos eram desconhecidos e a química era uma magia negra, feita nos porões escuros dos alquimistas.

    Quando a alquimia deixou de ser a ciência oculta dos sonhadores da produção artificial do ouro e passou para as mãos dos médicos, que procuravam desvendar a causa da vida, começou a nova fase da química, chamada dos elixires de longa vida (iatroquímica).  Um dos apóstolos desta nova ciência que surgia, recomendava como medicamento alguns compostos químicos, mesmo os tóxicos como arsênico, mercúrio e antimônio - foi o célebre Paracelsus (1493-1541).

    Se bem que as primeiras idéias de Paracelsus fossem mal acolhidas nas escolas de medicina, aos poucos porém, quando maior era o número de médicos interessados na química, então, as mesmas conquistaram seu devido lugar na medicina. Fervorosos propagadores da utilização de compostos químicos em medicina, foram os célebres médicos John Baptiste van Helmont (1577-1644) e Francisco de le Boe Sylvius (1614-1672).

    No fim do século XVIII, a química deixou de ser alquimia, isto é, arte de fazer ouro e preparação dos elixires de longa vida, tornando-se uma ciência que passou para as mãos dos farmacêuticos e químicos.

    No ano de 1828, Wöhler conseguiu a primeira síntese orgânica (uréia) e com isso modificou as teorias existentes, de que os compostos orgânicos só podiam ser feitos nos organismos vivos. Mas, dentro de pouco tempo verificaram  que nos laboratórios era possível obter vários compostos, até então só fornecidos pelos organismos vivos, como também ultrapassar a produção natural e obter compostos desconhecidos na natureza.

    Quando em 1833, Knorr conseguiu produzir sinteticamente a antipirina que se mostrou um bom febrífugo, começou nos anais da medicina a época chamada da quimioterapia, na qual se iniciou o uso vasto dos compostos sintéticos produzidos nas fábricas e laboratórios.

    Atualmente  existe um ramo especial da química que trata da síntese dos medicamentos fornecendo os laboratórios químicos e farmacêuticos, anualmente, centenas ou milhares de produtos que põem à disposição dos médicos. Entre os novos compostos sintéticos há vários de grande valor. Por serem combinações de estrutura conhecida e de efeito real, não era de admirar que os médicos dessem maior importância a eles deixando os antigos, de origem vegetal.

    Infelizmente fabricantes de especialidades farmacêuticas, não olham o bem estar do próximo, mas somente os seus interesses comerciais. Costumam fabricar  produtos com nomes diferentes ou então efetuando modificações sem valor terapêutico, dizendo serem produtos novos, e o pior, com a ganância do dinheiro, fabricam produtos sem valor e às vezes até nocivos.        Laboratórios de produtos químicos fazem a sua propaganda nas revistas, folhetos e dando amostras  enchendo com este procedimento consultórios médicos e laboratórios farmacológicos. Assim sendo, aparecem,   anualmente milhares desses produtos; os médicos têm seu tempo ocupado com seleção e pesquisas, não  lhes  restando forças para melhores estudos das antigas drogas vegetais.

    Como acima tive oportunidade de acentuar, a síntese  química nos deu vários produtos terapêuticos de grande valor, como: derivados de pirazolona, fenitidina, compostos barbitúricos, arsenobenzóis; exerceu porém ação maléfica para a espécie humana. Despertou infundado orgulho e convencimento supondo-nos capazes de tudo fazer nos nossos laboratórios e que com isso seríamos independentes das forças criadoras naturais. Falou-se e escreveu-se sobre a possibilidade de produzir pílulas nutritivas que substituíssem alimentos. Se na síntese dos alimentos logo ficamos decepcionados e compreendemos que ainda não é tão logo que nos libertaremos da supremacia do reino vegetal, na síntese dos medicamentos, porém, deixamo-nos sugestionar de tal maneira que do programa do curso de medicina excluímos a botânica e a farmacognosia, como sendo matérias desnecessárias à medicina, e assim deu-se a primazia à quimioterapia. Surgiu e desenvolveu-se esta tendência principalmente na Alemanha, donde, graças à rica literatura médica, generalizou-se na maioria dos países eslavos, que econômica e culturalmente estavam em contato com a cultura alemã.

    Antes da 1ª guerra (1914-18) a primazia da produção química pertencia à Alemanha, que produzia 99 % de todos os corantes e medicamentos usados no nosso globo.

    Apesar da maioria das descobertas químicas terem sido feitas pelos cientistas franceses ou ingleses, mesmo assim os alemães souberam aproveitar essas descobertas e fazer da química ciência nacional.

    Eis alguns dados sobre a potência de algumas indústrias químicas alemãs.

    Por  exemplo, indústria química 'Meister Lucius e Brüning' em Höechst, mantinha antes da guerra 350 químicos e  150 engenheiros, e 'Badische Anilin-und Soda- fabrik', 322 químicos, 266 engenheiros, 1.300 funcionários e cerca de 12 mil operários.  Essa fábrica, em 1913, pagou aos seus acionistas 28 % de dividendos. Várias outras que mantinham de 2.000 a 9.000 operários existiam na Alemanha.

    Os primeiros produtos sintéticos medicinais de antipirina, fenacetina, salol, surgiram entre os anos de 1883-1887, e no ano de 1907 o número de derivados similares elevou-se a cerca de 700 anualmente. As amostras desses medicamentos eram enviadas principalmente para clínicas médicas e hospitais. Não é de admirar que todo o mundo médico alemão tivesse dessa maneira imposto a unanimidade de pesquisas, não lhe restando tempo para aprofundar seus conhecimentos nos medicamentos antigos.

    Pró e contra esses específicos químicos falaram professores nas escolas superiores, foram feitas pesquisas nos hospitais pelos médicos e somente sobre eles é que se escrevia nos  compêndios e revistas. Modernos livros de farmacologia quase não fazem referência sobre medicamentos vegetais, ou somente mencionam os princípios ativos das plantas heróicas.

    Poderíamos pensar que as plantas medicinais foram abandonadas depois de examinadas rigorosamente, tendo os exames demonstrado serem elas sem nenhum valor terapêutico. Inutilmente, porém procuraríamos tais provas. As plantas medicinais foram abandonadas pela medicina  devido à falta de tempo, nos últimos 50 anos, para seu estudo.

    Porém o povo continuou o culto da medicina,  devido, à falta de tempo, nos últimos 50 anos, passados. Quando os médicos não sabiam e não podiam prescrever a seus clientes essa espécie de medicamentos surgia então o novo tipo de curandeiro que indicava plantas medicinais.

    Hoje somos testemunhas do paradoxal acontecimento nas capitais e cidades com certa cultura, que têm milhares de médicos formados, encontramos curandeiros que clinicam e nas suas salas de espera não só vemos pobres como também clientes inteligentes e ricos. Na Alemanha, onde para cada 300 habitantes há um médico, o número de curandeiros registrados ultrapassa 6.000. E na Polônia onde temos um médico para cada 3.225 habitantes, o número de curandeiros também é elevado, os quais geralmente prescrevem plantas nacionais. Utilizando misturas de plantas, geralmente eles obtêm bons resultados nas doenças do metabolismo. Sendo utilizadas por eles as plantas pouco ativas e atóxicas, vemos por isso que não há casos de intoxicações ou envenenamentos produzidos pelas mesmas.

    O único mal que casualmente pode provocar esse tratamento é um diagnóstico errado ou a duração da   enfermidade. Precisamos dizer sinceramente: os que   procuram os curandeiros afamados são geralmente pessoas desenganadas pelos médicos e que não têm mais nada a perder, desiludidos vêem, desesperados, nesses homens o último recurso.

    A repentina volta dos medicamentos vegetais, data da grande guerra. Enquanto existia bem estar e à disposição dos doentes se encontravam sanatórios e dietas especiais, foi possível ir passando com produtos químicos. Porém com o começo da grande guerra veio a fome, pobreza e epidemias, e as fábricas de produtos químicos em vez de produzirem medicamentos passaram a fabricar gases asfixiantes, e então foram lembradas as plantas medicinais com as quais quase que exclusivamente se tratava a humanidade até o século XIX.

    Já no primeiro  ano depois da declaração de guerra, em todos os países,  inclusive a Alemanha, iniciou-se uma ativa campanha para o cultivo e a colheita de plantas medicinais.

    Surgiram departamentos nacionais de propaganda sobre cultura e colheita de plantas medicinais; foram também organizadas centenas de cursos e conferências sobre o mesmo assunto. A flora medicinal tornou-se moderna.    Para não se confundir este novo ramo terapêutico com a até então moderna quimio-opoterapia, ficou sendo chamada de fitoterapia. Este nome surgiu e se divulgou na França, que, mesmo antes da guerra, não olhava com simpatia os produtos sintéticos alemães, e com prazer usava, como antigamente, as plantas medicinais.  Somente na França e nos países latinos se conservou até hoje a profissão de ervanário (herboriste) e drogarias com especialidades vegetais (herboristerie). O nome de fitoterapia deriva de duas palavras gregas, 'phyton', planta e 'terapeuo', medicinal.  Etimologicamente a palavra fitoterapia quer dizer tratamento  por meio de produtos vegetais.  Esses produtos o homem os vinha usando desde os tempos mais remotos. Estranha intuição permitia ao homem, em diversos países, escolher entre diversas famílias botânicas as plantas com idênticas propriedades e efeitos farmacológicos.  É fato conhecido que a medicina popular do mundo inteiro evita cautelosamente o uso de plantas heróicas ou tóxicas, porém são estas as mais usadas na medicina oficial. Atualmente  conhecemos cerca de 12.000 espécies de plantas medicinais que são usadas por vários povos. Convém acrescentar que essas espécies são as selecionadas por diversos povos durante centenas de anos. A ciência moderna não descobriu nenhuma planta nova medicinal, mas somente estuda e introduz as já conhecidas do povo.

    As plantas medicinais ficaram por muito tempo, de tal modo abandonadas e esquecidas que atualmente temos, que as descobrir novamente. Que as plantas geralmente dão bons resultados, todos sabemos e diariamente temos provas disso. Resta somente a confirmação  terapêutica de certas plantas, principalmente das que, por enquanto, não foi possível retirar seus princípios ativos.   Como não eram justas as teorias sobre certas matérias primas medicinais, quero dar como exemplo o óleo de fígado de bacalhau       (Oleum Jecoris).

    Esse óleo era usado há séculos pelo povo inglês e nos países escandinavos como anti-raquítico. No século XIX foi oficialmente introduzido na medicina. Várias e incompletas pesquisas do século passado afirmavam que ele não passava de uma  gordura que continha grande quantidade de hidratos de carbono, e como único inconveniente tinha um cheiro muito desagradável. Começaram então a usar em vez do óleo de fígado, vários óleos puros como o de amêndoas e o de oliva, com os quais os fabricantes julgaram possível substituir o óleo de fígado e lançaram no mercado a Lipanina. Depressa, porém, chegaram à conclusão de que os melhores e mais ricos óleos não podiam substituir o óleo de fígado. Começaram então a proceder a pesquisas mais minuciosas e verificaram que ele continha traços de iodo ao quais atribuíram as propriedades ativas.

    Sempre dispostos a agradar, os produtores de especialidades farmacêuticas encheram os mercados de medicamentos xaroposos e oleosos iodados. Fizeram propaganda desses produtos como substitutos dos de óleo de fígado, porém algum tempo depois verificaram que eram destituídos de valor. Somente após a descoberta das vitaminas em 1911 é que foi compreendida a ação desse medicamento até então desprezado e deu-se-lhe o justo valor.

    Graças ao aperfeiçoamento dos métodos de pesquisas fisiológicas, aprendemos a reconhecer as chamadas vitaminas, ou substâncias nutritivas complementares. Com a descoberta desses corpos nos foi indicado novo rumo na dietética e a importância dos legumes para o nosso organismo, e verificou-se que as células vegetais eram retortas biológicas que produziam as vitaminas. O que era incógnita no óleo de fígado para os nossos antepassados, há 25 anos atrás, atualmente ficou solucionado. Porém ainda temos na nossa frente muitas coisas desconhecidas à espera de serem explicadas.

    No estudo das plantas, principalmente, grandes falhas encontramos nas pesquisas farmacodinâmicas. Compêndios modernos de farmacologia dedicam muito lugar para os alcalóides enérgicos e glicosídeos, porém os óleos essenciais, saponinas, taninos vegetais são tratados superficialmente e como compostos sem importância. Apesar de até agora pouco sabermos da composição química dos óleos, saponinas ou taninos, ficou, porém, confirmado que existem grandes diferenças na estrutura dos diversos compostos pertencentes ao mesmo grupo.

    A vida cotidiana nos ensina que várias essências, saponinas e taninos entram na composição dos nossos alimentos e temperos, porém a fisiologia não nos deu confirmação concreta para que as precisamos e quais são as suas funções no nosso organismo.

    Todo ser humano tem que se conformar com o fato de que temperos vegetais como: pimenta, gengibre, salsa, salsão, etc., têm alguma importância na nossa alimentação; seria impossível crer que milhares de seres humanos estivessem, durante séculos, sugestionados e pagassem grandes somas por coisas completamente inúteis e dispensáveis.

    Examinando os nossos alimentos e temperos vegetais, veremos como é difícil estabelecer um limite entre legumes e temperos dum lado, e as chamadas plantas medicinais do outro; levando-se em consideração que um grande número de temperos vegetais, que utilizamos na nossa alimentação, são também encontrados nas farmácias como medicamentos. Basta para exemplo citar: alho, pimenta, gengibre, canela, cravo, erva-doce, salsa, orégão, etc. Às vezes, certas plantas usadas nos regimens dietéticos de certos povos, são utilizadas como medicamentos, porém em outros países são consideradas legumes e usadas diariamente.  Assim, por exemplo, na Polônia: camomila, erva cidreira, flores de tília são consideradas como medicamentos e compradas nas farmácias por ocasião de doenças, porém na Itália e França infusos dessas plantas são tomados diariamente como chás e também são        servidos nos cafés ou restaurantes. Na Polônia a hortelã é usada como medicamento nas indisposições estomacais e na Inglaterra serve de tempero nacional para carnes, sopas, molhos, cervejas, limonadas, etc. Um outro exemplo            temos com o rábano que compramos nas feiras e usamos como tempero para carnes e na França serve de medicamento, sendo preparado nas farmácias sob a forma de extrato fluido e xarope.  Iguais exemplos a estes poderíamos dar muitos outros,  e a lista aumentaria se estudássemos a alimentação de diversas épocas da existência humana.

    Atualmente estão esquecidos vários legumes e temperos, que serviram de alimento para os nossos antepassados. Haverá hoje em dia, alguém em Cracóvia que coma por exemplo, Pastinaca sativa L., Sium sisarum L. ou Aegopodium podagraria L. (umbelíferas)? Mas no tempo do rei Jagietto eram vendidos como legumes nas feiras locais e diversas vezes foram servidos na mesa real. Atualmente está sendo feita propaganda com a chamada 'proso' italiano ou 'ber', no entanto no tempo do rei Mieszek I era um cereal conhecido por todos os povos eslavos.

    A maioria das plantas daninhas que crescem nos nossos quintais e terreiros, serviram de legumes para os nossos antepassados. Em Vilno e suas redondezas, a população come até hoje, principalmente na primavera, sopas e ensopados preparados com urtigas, armolas, Pimpinela saxifraga, (umbelífera) e várias outras plantas.

    A pobre Polesie come o chamado lírio aquático (Nymphaea alba). Isto serviu de motivo ao célebre escritor Julius Stowacki para a composição do seu poema Lilia Weneda, capítulo da nutrição do condenado à morte pela fome, Dervid, com as flores do lírio aquático. Devemos dizer aqui, que há anos, o professor da universidade de Varsóvia, Dr. J. Modrakowski,  descobriu nas flores do lírio aquático pequenas quantidades do glicosídeo ninfalina, que age como tônico cardíaco. A conclusão deveria ser de que se comêssemos nos períodos de fome o lírio aquático não só seria alimento como também tônico cardíaco.

    A maioria das nossas plantas medicinais, que usamos atualmente, não passa de legumes selvagens e temperos usados pelos nossos antepassados. O organismo humano, bem como o dos animais, está apto para assimilar certas transformações da matéria. A principal alimentação do homem é de origem vegetal.  Pelos vegetais o homem está intimamente unido ao solo e ao clima no qual habita. Assim como as plantas, o homem também necessita, de certos compostos minerais, principalmente potássio, cálcio, manganês, ferro, sílica e fósforo.  Esses compostos devem ser fornecidos diariamente e em porções certas, por isso não podemos substituir por muito tempo os compostos de potássio pelos de sódio ou manganês pelo cálcio, porque seremos atacados do mal chamado de fome mineral.

    Falando da nutrição, pensamos em três tipos de compostos que são: albumina, gordura e hidratos de  carbono. Somente há pouco tempo confirmamos a necessidade nos alimentos das chamadas vitaminas, conhecidas também como compostos nutritivos complementares. Inicialmente falou-se somente em 3 vitaminas, chamadas 'A', 'B' e 'C'.

    Atualmente conhecemos várias, e não é neste ponto que  está o fim das pesquisas.  A ação de vários compostos nutritivos até agora é desconhecida, mas não resta a menor dúvida, que compostos vegetais tais como clorofila, flavonas, antociânicos, carotenos, taninos, saponinas, aminoácidos, óleos essenciais, são compostos indispensáveis ao nosso metabolismo, pois há séculos, o organismo os recebe continuamente. Muito interessante é a ação dos compostos orgânicos do enxofre.

    O enxofre pertence aos constituintes que sempre entram na composição da albumina. A molécula da albumina que contém enxofre é o aminoácido cistina, e é encontrada em maiores proporções nos ectodermas do nosso organismo (peles, cabelos e unhas).  Se o organismo sabe aproveitar para sua construção molecular compostos sulfurados inorgânicos, ainda não temos nenhuma prova.

    A observação da nossa alimentação nos mostra claramente que o homem,  em todas as latitudes geográficas acha plantas que contêm compostos orgânicos de enxofre e utiliza-as como legumes e temperos. As plantas que contêm enxofre orgânico pertencem todas às variedades de alhos (aos quais pertencem cebola, alho-porro e cebolinha verde), a seguir todas as plantas da família das crucíferas (repolho, couve-flor, nabo, rabanete, rábano, etc.), da família da chagueira, alcaparra, resedá ou minhonete e etc. Do que ficou dito acima concluímos que o nosso organismo está apto para assimilar diferentes compostos encontrados na alimentação vegetal.

    Pensemos por um momento na dieta atual, principalmente na dos habitantes das grandes cidades. No século XIX foram feitas várias descobertas em fisiologia e bacteriologia. Essas descobertas, graças à imprensa, tornaram-se 'tabus', da grande massa de leigos inteligentes, os quais, querendo seguir as recomendações dos cientistas, tentaram normalizar suas vidas. Muitas vezes essas pesquisas não eram exatas, e ainda piores eram as conclusões tiradas dessas experiências. Por exemplo: o fisiólogo provou que a carne ou ovos são de mais fácil digestão do que a ervilha ou lentilha, e que o nosso organismo não digere as celuloses, e que o repolho, beterraba ou cenoura contêm pouca albumina, porém muito maior proporção de celulose. Qual foi a conclusão prática, que obtivemos dessas pesquisas? Começamos assiduamente a desprezar do nosso regímen diário os legumes, substituindo-os pela carne, leite, seus derivados e ovos.

    Quando os bacteriologistas descobriram no solo, vegetais e frutas diversas bactérias e demonstraram que as, mesmas podiam ser eliminadas pelo cozimento, sentimos verdadeiro pavor em comer maçã crua, uvas ou pepinos.   Houve tempos durante os quais atribuíamos aos alimentos crus a maioria dos nossos males. Estragamos o nosso pão, trigo sarraceno e arroz tirando-lhes o embrião e a película de aleurona, porque temíamos a quantidade mínima de celulose que se encontra nas cascas dessas sementes.       Com a fervura perdemos uma porção apreciável de vitaminas e sais minerais. Há algum tempo, aprendemos de um modo ideal a estragar os nossos alimentos.

    A nossa dieta está sobrecarregada de albumina animal (carne, ovos e laticínios), a qual o nosso organismo, apto para digerir a albumina vegetal, não consegue aproveitar totalmente. Devido a isso no nosso organismo formam-se em quantidade resíduos de caráter ácido (ácidos oxiproteínicos, úrico, aceto-acético, etc.).  Comemos quantidades pequenas de legumes e frutas, e quando o fazemos são cozidos ou em conservas. A insuficiência de sais minerais da nossa alimentação suprimos com cloreto de sódio (sal comum), graças ao qual muitas vezes sofremos conseqüências pelo excesso de cloretos. Fazemos então regímen sem sal, e a falta de cálcio tentamos preencher com injeções de cloreto de cálcio. Não nos preocupamos muito com os compostos orgânicos de enxofre e fosfatos, e quando os ingerimos procuramos sempre compostos inorgânicos muito pouco assimiláveis.

    A importância do silício no nosso organismo foi explicada pelo Prof. R. KOBERT, provando que, são compostos naturais de certas células. Os mais ricos em silício são os cabelos, unhas e pele, bem como o fígado, o coração e o sangue. À contínua deficiência em silício, o organismo procura eliminar as células que o consomem; os cabelos são os mais ricos em cistina, composto orgânico sulfurado; a falta de enxofre e silício no nosso organismo é, para alguns fisiólogos, motivo da calvície nos habitantes das cidades alimentados em gerações sucessivas com     alimentos de pequeno teor de silício e enxofre, como carne e pão branco.

    Se porém alguém achar esta afirmação muito audaciosa, lembre-se de nossos camponeses, alimentados exclusivamente com legumes, e verá que a percentagem de calvos é muito pequena.  Simples análise quantitativa das vastas e das ralas cabeleiras nos mostra que as vastas e sadias cabeleiras dos camponeses contêm muito maior  quantidade de silício e enxofre do que a penugem anêmica dos moradores das cidades. A mesma coisa foi observada nos animais. Animais de pele macia, quando cuidados em gaiolas e alimentados com carne e semelhantes, fornecem nas próximas gerações peles más com o pelo se soltando facilmente.  É um fato curioso que os moradores da cidade de Vilno, onde se come muito mais carne (célebres frios) do que em outras cidades da Polônia, possuem seu composto silícico predileto (Herba Equiseti)(Equisetum sp), que geralmente tomam durante o inverno como chá dietético.

    Resumindo o  que ficou dito acima, devemos nos conformar com o fato que devido a uma dieta deficiente sofremos de vários males causados pela falta dos sais minerais, compostos aminoácidos, vitaminas e atualmente ainda desconhecidos compostos nutritivos complementares.  Devido ao regímen pouco higiênico, assim como falta de movimentos, poucos banhos de sol, digerimos mal nossos alimentos e impedimos a formação normal no organismo de produtos de fotossíntese.  Todas essas faltas são conseqüências inevitáveis da vida sedentária dos moradores das cidades, e por isso o homem procura melhorar ou compensar pela escolha adequada dos seus legumes cereais e frutas que vem cultivando há séculos.

1.  Todos os alimentos vegetais são mais ricos em sais minerais do que os produtos animais; nestes encontramos o sangue e o leite que os possuem em quantidade suficiente e as necessárias condições para uni-los aos produtos ácidos que podem digerir tais alimentos. Mais ricos em sais minerais e valiosos produtos remineralizantes são todas as partes suculentas dos órgãos vegetais: folhas, brotos e frutos suculentos, ex.: espinafre, alface, repolho, couve-flor, pepinos e abóbora.

2.  Os vegetais são os mais perfeitos laboratórios, pois pela fotossíntese dos compostos inorgânicos mais simples se chega aos mais complexos compostos orgânicos. O corante verde conhecido com o nome de clorofila é quimicamente semelhante ao corante do sangue, hemoglobina, e segundo pesquisas de Bürgi é um excelente auxiliar na produção de glóbulos sangüíneos. Junto à clorofila os vegetais contêm sempre carotenos, hoje considerados como 'pro-vitamina A'. Alguns produtos vegetais são singularmente ricos em carotenos, tais como: pimentões, tomates, abrunheiros, cenoura, etc.

3.   Plantas verdes sempre contêm ao lado da clorofila compostos flavônicos e antociânicos, sendo que em alguns predominam os compostos flavônicos: salsa, salsão e outros, e os antociânicos: beterraba, cerejas, uvas pretas, etc.

4.  Todos os vegetais suculentos frescos contêm o chamado ácido ascórbico ou vitamina C, que nos preserva dos males chamados infecciosos, escorbuto. Os mais ricos nessa vitamina são: limões, laranjas, tomates, repolho, rabanetes.

5. Fonte de vitamina B (vitamina do sistema nervoso) e compostos orgânicos de fósforo (fitina) são todas as sementes, principalmente as ricas em substâncias gordurosas como nozes, amêndoas, sementes de papoulas, soja, ervilha, cânhamo, girassol, etc.   Sementes de cereais também contêm esta vitamina, porém somente na película externa e no embrião. Por isso na produção da farinha branca ou quando limpamos outros cereais tiramos essa película preciosa, tornando essa farinha e cereais alimentos incompletos.

6.   Fonte principal de enxofre orgânico é para nós a cebola, alho, cebolinha, como também todas as plantas da família das Crucíferas, como rabanete, nabo, rábano,  couve-flor, agrião e todas as variedades de repolho.

7.  Apesar de não sabermos exatamente qual é a função,  no nosso organismo dos óleos essenciais, a farmacologia nos diz que a sua ação ativa a secreção de todas as glândulas, mesmo assim as plantas aromáticas desempenham ação acentuada na nossa alimentação e os temperos também; basta mencionar a salsa, aipo, cominho, orégão, anis, coentro, gengibre, etc.

8. Além desses, encontramos entre as frutas compostos ricos em ácidos orgânicos e taninos, assim por ex., maçãs, pêras, ameixas, marmelos, etc. Devido à escassez de alimentos vegetais que comemos, estamos seguidamente em 'déficit' com o nosso organismo para o seu funcionamento normal, por essa razão somos obrigados a comprar medicamentos que deviam ser ingeridos como alimentos naturais.

    Quanto à remineralização do organismo podemos obter  pelas misturas dos mais simples legumes, que contêm de 10 a 15 % de sais minerais e os quais pelo menos a metade perde-se pela infusão ou cocção.

    Em outros casos procuramos como medicamentos matérias primas muito ricas em compostos de ação específica e conhecida.

    Entre as nossas plantas nacionais temos várias com diversos princípios ativos, e o médico pode escolher entre diversos grupos farmacológicos, como por exemplo:

1º)  Medicamentos amargos e amargo-aromáticos, que facilitam a digestão: centáurea, louro, absíntio, cálamo aromático, aquiléia.

2º) Mucilaginosas e carminativas: sementes de linhaça, erva doce, plantago major.

3º) Sudoríficas: framboesas, sabugueiro, tília, amor-perfeito.

4º)  Diuréticas: polipódio, betula alba, filipêndula, tanchagem e zimbro.

5º)  Expectorantes: prímula, saboeiro, anis e violeta.

6º) Colagogas: absíntio, arruda, chagueira, rhamnus cathartica.

7º) Sedativos: valeriana, lúpulo, arnica e acônito.

8º) Calmantes e curativas: hortelã, erva cidreira, camomila, melilotus, erva de S. João e briônia.

9º) Purgativos: agárico, absíntio e briônia.

10º) Antidisentéricas: bistorta, salva e carvalho.

11º) Vermífugas: tanásia das boticas, artemísia, absíntio, matricária, erva de Sta. Maria (Chenopodium ambrosioides).

12º) Antireumáticas: salgueiro branco e brotos de álamo.

13º)  Moderadoras da pressão arterial: alho e viscum.

14º)  Fitínicos: cânhamo, dormideira, nozes e soja.

15º)  Carotenóides: abrunheiro, rosa silvestre, sorveira e cenoura.

    Tudo que ficou dito acima refere-se ao homem, mas pode também ser utilizado para animais domésticos.

    Assim como para si, o homem modificou também a dieta dos animais domésticos; comumente deparamos com casos de avitaminose como também doenças provocadas pelo metabolismo.  Às vezes o homem faz isso sem sentir, porém outras vezes o faz premeditadamente, provocando a chamada 'ceva'. Se a carne desses animais engordados artificialmente é mais nutritiva para nós, o dirá futuramente a fisiologia. Várias plantas têm nos animais ação semelhante à que exercem no homem, porém há exceções.

    O agárico purgativo e os princípios antraquinônicos agem como purgativos tanto no homem como nos animais.   Mas, por exemplo, a jalapa, escamônea, que são purgativos enérgicos para homens e animais carnívoros, são quase inócuos ou de ação muito pequena para animais herbívoros.

    Os alcalóides lupinina, citisina e esparteína são venenosos para homens, cavalos, bovinos e cães, sendo que as cabras e ovelhas são refratários a esses alcalóides e podem alimentar-se com tremoceiro. O coelho pode comer sossegadamente, sem dano, grande porção de folhas de beladona, que seriam suficientes para envenenar um homem.

    Avitaminoses dos nossos animais domésticos são comuns, principalmente durante o inverno, quando são alimentados com capins secos em pequenas e escuras estrebarias. Principalmente os animais jovens sofrem da carência da vitamina do crescimento.  Os medicamentos que ativam o crescimento são: Trigonella Foenum graecum, actéia, bagas da sorveira brava, urtigas, etc.

    Disenterias são geralmente provocadas pela avitaminose C e são curáveis por meio de alimentos frescos e suculentos.

    Animais jovens fechados em currais ou estrebarias são  muitas vezes vítimas da chamada fome mineral, a qual tentamos diminuir pela adição de misturas que encerrem fosfato de cálcio e cloreto de sódio.

    Galinhas presas, durante o inverno, em galinheiros, põem pouco e os ovos têm gema clara, isso pode ser corrigido acrescentando diariamente à alimentação, determinada quantidade de folhas secas de urtigas ou aquiléia.

    A falta de vitamina E ou F, geralmente é a causadora da esterilidade. Essa avitaminose é observada quase sempre nos laboratórios biológicos e bacteriológicos, onde são criados ratos e camundongos, e também observada pelos criadores de coelhos.

    As vitaminas da reprodução acham-se nos embriões das sementes, as quais, junto da camada de aleurona são retiradas em forma de farelo quando fazemos as farinhas brancas e aveias. Por isso o farelo, embriões ou sementes de soja, ervilha ou outros cereais são medicamentos para essa avitaminose.

    Os povos caucasianos tratam coceiras de cavalos friccionando infusos concentrados de agárico, e na pneumonia dos bovinos aplicam por via oral folhas de beladona (6,0 - 10,0 em 24 horas).

    Nos males renais e da bexiga dão bons resultados os mesmos medicamentos usados para o homem: zimbro, brotos de bétula, filipêndula.

    Vermes comuns (lombrigas) e solitárias, que são mais comuns nos animais do que no homem, se admitirmos o que dizem cientistas franceses, é considerado bom vermífugo o pó da Pérsia ou da Dalmácia, (flores de matricária pulverizadas) e ainda o Tanacetum vulgare, absíntio, e tomilho.

    Considerando que se trata de administrar quantidades maiores que devemos aplicar aos quadrúpedes, devemos evitar prescrições de produtos caros. Felizmente fabricantes alemães de vários específicos não lembraram de produzir milhares de preparados patenteados para os nossos cavalos e vacas.  Graças a isso na prática veterinária aplicamos geralmente medicamentos simples ou matérias primas que prescrevemos individualmente para cada um. Geralmente os medicamentos são administrados em forma de pó, dados nas rações diárias ou bolos colocados à força na garganta. Mais difícil de serem administrados são os medicamentos líquidos. Atualmente os medicamentos estão sendo introduzidos em  forma de injeções, porém essa forma é muito cara e nem todas as vezes pode ser aplicada.

    Na prescrição de medicamentos para animais não só devemos escolher os mais baratos, mas também de qualidade inferior, os chamados de 2ª ou 3ª categoria, geralmente encontramos no comércio grandes diferenças de preços. Por exemplo, quando se trata do homem utilizamos os rizomas do cálamo aromático raspados ou cortados em pedaços; para os animais podemos utilizar as raspas ou os rizomas grosseiramente ralados. Da camomila usamos as melhores e as mais bonitas flores, que custam de 4 a 5 zlotg o quilo, e as flores miúdas, que são também ricas em óleo essencial, custam apenas a metade. Sabemos perfeitamente que a um veterinário prático que prescreve plantas medicinais interessarão doses das mesmas.   Doses exatas de plantas medicinais pouco ativas para os animais domésticos ainda não temos, pois mesmo em medicina plantas pouco ativas administramos arbitrariamente, mais ou menos uma colherinha (cerca de 2,0) até 1 - 2 colheres de sopa (5,0 - 10,0) de cada vez, geralmente em infusos ou decoctos, sendo repetidas as doses 2 a 4 vezes ao dia. Tomando por base comparativa as doses para homens, de plantas com princípios ativos, podemos por analogia determinar aproximadamente as doses para os animais. Até mesmo se nos nossos cálculos nos enganarmos nas doses em mais ou menos 1,0 g, não haverá conseqüências funestas, pois algumas das chamadas plantas medicinais (não venenosas) são às vezes ingeridas por animais, nos pastos, em quantidades apreciáveis. Mais adiante dou, para orientação, as doses certas de substâncias ativas para o homem e para alguns animais domésticos, extraídas da 5ª edição da Farmacopéia italiana (1929). As doses podem, a critério médico, ser aumentadas de acordo com a resistência do organismo.

    Finalizando, quero dizer algumas palavras sobre a produção das plantas medicinais na Polônia.  Um dos mais antigos pioneiros da cultura das plantas medicinais no nosso país é ainda vivo, o conceituado farmacêutico em Varsóvia, Sr. J. Biegánski. Seu ótimo trabalho intitulado 'Plantas Medicinais e sua Cultura' foi publicado em 1894.   Porém esse não é o único trabalho científico desse autor, ele publicou centenas de artigos e folhetos sobre o mesmo assunto. Todos os esforços feitos antes da guerra para divulgar a produção de plantas medicinais fracassou.  Importamos da Alemanha e Áustria as plantas necessárias.  Já antes da guerra, havia casas, em Swieciany que se dedicavam à compra dessas plantas e as exportavam para Hamburgo.  Somente depois de reiniciado o estudo farmacêutico em Vilno e com a organização da cultura das plantas medicinais ao lado da Universidade Stefan Batory é que melhoraram as condições econômicas em Vilno e suas redondezas. Atualmente já existem casas de plantas medicinais em várias cidades. Duas firmas grandes de Swieciany já fornecem atualmente plantas de primeira qualidade, não só para o país como também as exportam para a Alemanha, Áustria, Bélgica, Estados Unidos e outros. Antigamente importávamos plantas selecionadas da Alemanha, hoje é ela que as compra no nosso mercado.

    O jardim de plantas medicinais da Universidade Estefan Batory em Vilno, fornece anualmente sementes e centenas de indicações e observações sobre a cultura dessas plantas. Atualmente já temos no país vários cultores de plantas medicinais, entre eles por exemplo, os em Debach Szlacheckich, perto de Koto, são exemplares. Estamos nos tornando na Europa um país produtor de plantas medicinais, e como prova disto o autor deste trabalho foi em fevereiro do corrente ano, como convidado especial da Universidade de Krolevice, fazer uma conferência sobre a importância da cultura das plantas medicinais no nosso país.

    Atualmente podemos falar sem rodeios sobre a ressurreição da fitoterapia, e com isto a nova indústria, desconhecida na Polônia antes da guerra, e a qual        para nós, como país agrário, pode tornar-se de grande        valor e importância econômica. Estamos pois na época em que as plantas medicinais que há tempos foram desprezadas e abandonadas, estão tornando a conquistar seu devido lugar.

 

DOSES DE MEDICAMENTOS VEGETAIS ADMINISTRADOS DE UMA SÓ VEZ E DE AÇÃO ENÉRGICA PARA HOMEM E ANIMAIS ADULTOS, SEGUNDO A FARMACOPÉIA ITALIANA (1929)

Princípio Ativo ou Forma Homem Cavalo Vaca Ovelha  Porco Cão Gato
E.Aconiti  0,03 0,5-2,0 1,0-4,0 0,05-0,25 0,05-0,25 0,02-0,05 0,005-0,01
E.Belladonnae  0,05  2,0-4,0 2,0-6,0 0,1-0,5 0,1-0,5 0,03-0,30 0,03-0,3
E.Hyoscyami  0,1 5,0-8,0      -         -      - 0,05-0,30        - 
E.Opii aq. 0,1 1,0-5,0 1,5-7,5 0,5-1,5   0,5-1,5 0,05-0,25 0,02 -0,05 
E.Strychni 0,05 0,2-1,0 0,5-2,0 0,1-0,3 0,1-0,3 0,05-0,25 0,02-0,05
E.Sec.Corn. 1,0 30-5,0 3,0-6,0 0,3-1,0 0,3-1,0  0,1-0,5 0,05-0,1 
E.Sec.Corn.f.  1,0  5,0-10,0 6,0-12i0 0,5-2,0 0,5-2,0 0,2-1,0 0,1-0,2
F.Digitalis  0,2  1,0-5,0 3,0-6,0 0,5-1,0 0,5-1,0 0,1-0,3  0,05-0,1
F.Belladonnae  0,1 15,0-30,0  20,0-40,0  2,0-6,0 2,0-6,0 0,2-1,0  0,2-1,0 
F.Hyoscyami     0,3 15,0-60,0 20,0-80,0 10,0-30,0   15,0-40,0  1,0-3,0   0,2-0,8 
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          

Foria.S.tramanil                                 0,2          7,0-   15,0       10,0-   20,0           1,0    - 3,0             1,0    - 3,0          0,15    -0,40         0,15     -0,4

Fructus Colocynthidis                            0,3          6,0-   20,0,       6,0-   30,0,,         1,0    - 2,0             1,0    - 2,0          0,25    -1,0          0,05     -0,25

GUMMKgutti                                       0,3        1510-    30,0       25,0-   40,0           2,0    - 4,0             1,0    - 3,0          d,2     -i,o          0,05     -0,1 Horba Adonidis vernalis                          0,5          3,0-     5,0       4,0-     6,0          15-,2  - i,o             0,2    - 1,0          0,05    -0,2          0,01     -0,05 Olcum Crõtonís                                   0i05         0,2-     0,4       0,3-     o,o          0,1    - 0,25 é          0,05-    0,15         .0,01   -0,05         0,005-0,01 Opium pulveratum                                 0,15         2,0-   10,0        3,0-   15,0           1,0    - 3,0             1,0    - 3,0          0,1     -0,5          0,05     -0,1 Radix Aconiti                                    0,1          2,0-     4,0       3,0-     6,0          0,5    - 1,0             0,5    - 1 ,C)        0,1     -0,5          0,05     -0,1 Resina Jalapac                                   0,3              -             @0i0-   40,0           7,0    -15,0             5,0    -10,0          0,5     -2,0          0,05     -0,25 Santoninum -                                     0,1          5,0- 15,0          5,0-   20,0           2,0    - 5,0             0,5    - 1,0          0,05    -0,2          0,02     -0,05 Secale Cornutum                                  1,0        15,0- 30,0          20,0-   40;0           4,0,- 8,0                2,0    - 5,0          0,5     -2,0          0,1      -0,5 Semen Strychni                                   0,i          2,0-     8,0       5,0-   1 5',0         1,0 -    3,0             1,ó    - 3,P          0,05    -0,25         0,01     -G,05 Tinctlura    Aconiti                             0,5          5,0-   10,0        5,0-   15,0           1,0 -    2,0             1,0    - 2,0          0,5     -1,0          0,1      -0,5, Tinetura     Digitalis                           1,5.         5,0-   15,0       10,0-   2              2,0    - 5,0             2,0    - 5,0          0,5     -1,0          0,.1     -0,3 Tinetura     Opil                                1,5        20,C-100,0          30,0-150,0            10,0    -30,0            10,0    -30,0          1,0     -5,0          0,5      -1,0 Tinotura     Seiliae 2,0        15,0- 30,0          20,0- 40,0             5,0@ -15,0               5,0    -15,0          0,5     -2,0          0,2   '.,0,5 Tinetura     Stroohanthi                         10,5       10,0-    25,0             -                                                                                                              -                        -              X-XXX got.            V'-X got. Tinotura     Strychni                            1,0          6,0-   15,0       10,0-   25,0           1,0      5,0             1,0    - 5,0          0,2@5 -1,0,           0,02     -0,1 Podophylfinurn                                   0,1          5,0-   10,0       10,0-   15,0           1,0      4,0             1,0    - 4,0          0,05    -0,2          0,02     -0,05


(*) Prof. de Farmacognosia da Fac. de Farmácia Stefan Batory de Vilno.

(**) Traduzido do original polonês pela farmacêutica Josefa Paul, química da Seção de Análise dos Lab. Raul Leite.

(***) Publicado na Revista da Flora Medicinal - Ano XV - Nº 9 - SET/1948 - Rio de Janeiro - pp. 363/384.