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A Carta do Cacique Seattle
Esta carta, considerada como a declaração
mais bela e profunda sobre o meio ambiente - já feita até
agora, foi lida por Russell Peterson, Presidente do Conselho Federal de
Qualidade do Meio Ambiente, dos Estados Unidos, durante a reunião
da Associação Americana para o Progresso da Ciência,
em New York, em maio de 1975.
Russell Peterson observou que "da nossa moderna perspectiva
- 120 anos depois - a carta de Seattle parece ser uma profecia expressiva,
se não de todo desconcertante".
Sobre o assunto de terras dos índios manifestou-se
Michael Blake, no artigo "Enterrem meu Coração em Wounded
Knee", publicado em "Mother Earth News", nº 12, novembro de 1971,
North Madison, Ohio, nos seguintes termos:
" ... O índio percorre as suas terras tribais
pacificamente e com simplicidade, com grande reverência pelo país
e seus habitantes. Depois vem o homem branco, aos tropeções,
para alcançar os campos auríferos da Califórnia ou
as ricas glebas dos altiplanos. O índio não passa de coisa
irritante, de uma barreira incômoda que tem que ser removida e posta
de lado se é que se deve cumprir o destino manifesto. As boas terras
são roubadas, e designadas como reservas as terras que o homem branco
desprezou ou já saqueou. Aqueles que não querem ir para as
reservas são caçados impiedosamente.
Às vezes, mesmo aqueles que haviam concordado
em vir, são atacados (por exemplo, em Sand Creck) e ocorrem massacres
sobre os quais se estende o manto de segredo e que tornam My
Lai (*) parecer obra de amadores.
Uma vez dentro da reserva, o índio é frequentemente
forçado a se mudar outra vez, para mais longe da sua antiga terra
natal, depois que é descoberto ouro ou se planeja uma estrada conveniente
para a Costa Ocidental. Dentro da reserva o índio é alimentado
com os restos de comida do homem branco pelos supervisores corruptos e
inescrupulosos, e as palavras de desabafo significam a morte.
É claro - que o crime dos nossos antepassados
é de um tipo como nunca antes o mundo chegou a ver. Não foi
o crime de um louco só, como Hitler ou Stalin, foi um crime perpetrado
por uma nação inteira ... uma nação que não
se contentando em subjugar pela força um povo, apressou-se a destruir
um modo de vida inteiro ..."
Também pensava mais ou menos assim Black Whiskers
Sanborn:
"Para uma nação poderosa como a nossa
conduzir uma guerra contra uns poucos nômades que lutam pela vida,
em tais circunstâncias é um espetáculo dos mais humilhantes,
uma injustiça sem paralelo, um crime nacional dos mais revoltantes
que mais cedo ou mais tarde fará descer sobre nós ou nossos
pósteros o julgamento do Céu".
1867, Black Whiskers Sanborn (**)
(*) MYLAI - Aldeia vietnamita, destruída - junto
com todos os habitantes - por um destacamento do Exército Americano,
durante a chamada "Guerra" do Vietnam - cujo nome entra na História
como símbolo de intolerância racial, política e ideológica.
(**) Sanborn, juntamente com um punhado de outros, foi o amigo mais sincero
que os índios em qualquer época tiveram no meio dos homens
brancos.