Meio-Ambiente

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 A Denúncia da Terra

    No meu mundo, os humanos são apenas parte, não importa se a mais essencial. Sou abrigo para animais, plantas, ar, água e qualquer outra forma de vida, numa só composição de destino.

    Um atentado ao menor elo dessa rede afeta o meu corpo por inteiro. Lamentavelmente, nos últimos anos, em progressão geométrica, toda a minha natureza vem sofrendo a síndrome da poluição, disseminada aos quatro ventos pelos poderosos de todas as nações.

    “Ainda sou azul?” As florestas que, por vezes, levo séculos para tornar adultas, de repente, são só gemidos. É cada vez maior o número de animais a caminho da extinção. Pássaros, peixes, mamíferos, répteis vêm sendo constantemente abatidos pela caça indiscriminada, quando não morrem sufocados por toda a sorte de resíduos lançados às águas.

    Chega de testes, bombas e arsenais nucleares! Já não basta Hiroxima, Nagasáqui, Chernobyl? Que fazer com esse lixo atômico que se acumula sobre nós, seja no solo, seja no ar? Entendam, povos de todas as crenças e lugares: sou um ser vivo, única habitada em um pequeno espaço, no meio deste vasto universo! O meu signo é ser mãe do minério, da árvore, do animal e do homem.

    Corações e mentes de todos os cantos e canticos não me deixem chegar ao fundo do poço! Como posso oferecer o pão, a luz, o ar, a água se sou, cada vez mais, destruída? É necessária uma nova consciência, pois se eu morrer para os oprimidos, morrerei também para os opressores.

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