Repertório Patológico
CORÉIA
A CORÉIA (Dança
de São Guido ou São Vito, Caruara (Amazônia),Remelexo)
é uma enfermidade que se observa com especial freqüência
nas crianças, cujos pais manifestam doenças de cunho nervoso
ou quando as crianças se tornam nervosas devido ao excesso de trabalho
e estudo na escola ou de permanecer durante muito tempo presos dentro de
casa.
A enfermidade se apresenta
com freqüência no outono e ataca as crianças durante
a segunda dentição, isto é, entre a idade de 6 a 7
anos e na puberdade de 11 a 15 anos. As mulheres são mais atingidas
pela doença do que os homens. Esta doença se apresenta muito
raras vezes em adultos.
Os idosos também são
acometidos devido a debilidade e por isso se denomina "coréia senil".
Esta enfermidade pode ser consequência de reumatismo articular agudo,
de escarlatina e lombrigas ou por excessivo trabalho com os olhos, as cáries
dos dentes. É também possível que a enfermidade se
apresente em mulheres grávidas primíparas e também
como consequência de um medo ou terror violento.
A denominação
"dança de São Guido ou São Vito" é oriunda
do nome de uma capela perto de Ulm, na região de Souabe na Alemanha,
dedicada a S. Guy, porque desde o fim do século XV os habitantes
vinham implorar a intervenção do santo contra o mal.
Antes do surgimento propriamente
dito da doença, se observa que as crianças tem o sono intranqüilo,
quase sempre interrompido por pesadelos.
As crianças tornam-se
pálidas, perdem o apetite, ficam medrosas e excitadas. Estes
sintomas aparecem algumas semanas antes do surgimento definitivo da doença,
que se manifesta gradualmente.
Primeiramente se nota uma lentidão
no vestir-se, ao comer, ao escrever e ao fazer qualquer outra coisa, e
por isso os pais acreditam que a criança está com má
vontade, desleixada. Entretanto logo os sintomas definitivos e bem conhecidos
se manifestam e caracterizam logo a enfermidade. Então surge a inquietude
dos músculos, sacudidelas involuntárias, irregulares dos
braços, mãos e pés, que impedem o enfermo de ficar
muito tempo sentado tranqüilamente, ou de pé ou deitado na
cama.
Outras vezes se apresentam
no rosto movimentos sem nenhuma causa aparente.
Quando a enfermidade é mais
forte os enfermos não podem estar um segundo quietos, se agitam
na cama, esticam fortemente os braços, depois as pernas tanto para
a frente como para trás, logo as encolhem para esticá-las
novamente e assim seguem; sua cabeça se move também de um
lado a outro, de repente se vê que a cabeça está inclinada
para trás e logo se volta para diante para o peito.
Observando uma criança
neste estado, se vê que todos os músculos estão em
ação, todos trabalham fortemente por um momento e depois
lentamente.
Quando se pergunta ao doente
o que sente, ele costuma responder que se sente bem, que não sente
nada, apesar de que ninguém consiga se convenver disso, diante de
tantos movimentos consecutivos, sem se sentir cansado ou com dores no corpo.
Os enfermos, devido às
sacudidelas involuntárias nas pernas, não podem caminhar
como de costume e tem que andar aos saltos, fato que contribui para que
a doença receba este nome. Muitas vezes o modo de caminhar dos pacientes
faz parecer que estão andando sobre patins, de um lado a outro.
Em outra modalidade, em que
os enfermos ao querer andar, entrelaçam seus pés e isto os
faz cair constantemente. Certos enfermos não podem levar a comida
à boca, quando tem os movimentos muito fortes nos braços
e nestes casos não podem escrever nem vestir sua roupa.
Observando o rosto do enfermo,
parece-nos que a criança está fazendo trejeitos, pois encolhe
os ombros, enruga rapidamente a testa, abre e move as narinas, como se
sentisse algum odor estranho, abre e estica a boca e torce todo o rosto.
Constantemente a língua se movimenta, esticando-a e recolhendo-a
rapidamente.
Com as crianças doentes
tornam-se caprichosas e distraídas. Os movimentos coréicos
aumentam quando alguém os observa ou quando as crianças se
encontram em apuros e por outro lado, durante o sono os movimentos cessam
e a criança dorme tranqüilamente.
A doença pode se manifestar
com toda a plenitude ou parcialmente afetando apenas alguns dos membros
do paciente. A duraçao é de 4 semanas a 3 meses e lentamente
os movimentos desaparecem, mas pode haver recaídas que duram mais
tempo e são mais fortes. Entretanto apesar de tudo, não é
uma enfermidade grave e quase sempre é curável.