Saúde
"Você não fuma, por que o cigarro pode
provocar o câncer?
Não? Ah! Você acha que é negócio
ser livre
pelo menos para escolher a marca do seu cigarro?
Tudo bem ..."
Douglas CARRARA (1943- )
Guerra à Indústria do Fumo
O Ministério da Saúde está certo
de que o cigarro faz mal até na propaganda. Essa convicção
motivou a declaração de guerra à poderosa indústria
do cigarro. Como parte das comemorações do Dia Mundial Sem
Tabaco, em 31 de maio, o Governo encaminhou ao Congresso Nacional projeto
de lei que proíbe a publicidade do tabaco em todos os meios de comunicação.
Com essa iniciativa, espera-se que em cinco anos, o consumo de cigarros
diminua até 30%. Pena que demorou tanto tempo para agir. E além
disso, só se dispôs a agir, depois que os tribunais americanos
começaram a penalizar agudamente a indústria do fumo.
Um trabalho semelhante foi realizado em países
da Europa. Banidos da propaganda do tabaco, houve redução
de 37% dos fumantes na Finlândia, 26% na Noruega, 21% na Nova Zelândia
e 14% na França. No Brasil, é grande a expectativa de que
a campanha forte e contundente contra o tabaco surta efeito entre a população.
A propaganda do governo parodia um dos anúncios
de cigarro mais populares do mundo, o da Marlboro. Lembra que o protagonista
do comercial, o norte-americano Wayne Mclaren, morreu em 1992, aos 51 anos,
vítima de câncer do pulmão. O objetivo é atingir
especialmente o público adolescente, o principal alvo da indústria
do tabaco. Como 90% dos fumantes contraíram o vício antes
dos 19 anos de idade, essa parcela da população pode tornar-se
fácil consumidora por duas ou mais décadas.
Aliás, um dos principais objetivos da indústria
do cigarro é fazer as pessoas acreditarem que fumar é uma
decisão individual, o que funciona muito bem para os jovens. E essa
indústria gasta bilhões de dólares com publicidade
para convencer os jovens de que, fumando, eles vão ser mais sensuais,
interessantes e aceitos.
Mas a realidade é outra. O cigarro é um
produto feito para viciar e matar. Contém, entre outros, acetona,
terebintina, formol, amônia, naftalina e produtos utilizados em venenos
de matar ratos. São 4 milhões de mortes por ano, uma a cada
8 segundos. O pior de tudo é que, nesse mesmo tempo uma nova vítima
é "recrutada", normalmente um jovem.
Mesmo sem nenhuma credibilidade nas demais áreas,
o Governo Federal, ainda que tardiamente, não deixa de ter razão
ao incentivar a campanha anti-tabagista.














