Rio de Janeiro (RJ) - Brasil
REVISÃO 2000, CAPÍTULO FINAL: ERRATA
Na Introdução,
Onde se lê: "Presidente da República",
Leia-se: "Tirano da Vida Pública".
No dente ciso terceiro, do artigo lá no quarto,
Em que se cobra: "Pagar a Conta da Dívida Externa",
Deve a coluna dobrar-se assim:
"Pagar Para Sempre a Dívida Eterna".
Na aurícula cardiovascular à esquerda,
Onde sangra: "Salário Mínimo",
Queira-se conformar: "Esse Salário é o Máximo!".
No testículo 12, saco cheio 23
No qual se espera: "Estado Soberano e Livre",
Deve-se encontrar: "Estado Submetido e Pobre".
Na margem em que se gritava: "Independência ou Morte!"
Convém gritar: "Entregar ao Estrangeiro a Própria Sorte!"
Onde se afirmava: "O Petróleo é Nosso".
Corrija-se para: "O Petróleo é deles".
Na página 35, parágrafo 44,
Anotado a lápis: "Faremos Tudo Pelo Social",
Pede-se simplesmente apagar.
Por fim, na última linha da última página,
Pendurada num barraco à beira do abismo,
Onde está a palavra: "Trabalhador"
Solicitamos substituir por: "Escravo".
A Planalto Plácido Palácio Editora
Agradece a paciência e compreensão
E continua a contar com o seu voto.
QUEBRA-NOZES
No palco,
Bailarinas dançam.
Jardim em movimento.
BRASIL SPLEEN
Diante do real
Para ver se espanto
O fantasma da moléstia
Efervescente fantasia
Sal de fruta & utopia
Engulo um poema.
ECOS LÓGICOS
Língua verde
como a mata e o capim
homem maduro
o que será do carmim?
Já faz um céu escuro
urro urro urro urro
e ouço os ecos
do mato da mata do norte.
Mingua a sede
se de fato houver
cacho cachoeira
bananas de ouro
em águas de prata.
Mas qual saci traiçoeiro
pulará de seu cachimbo
num dia de domingo
só pra ser meu salvador?
DA INDELICADEZA DOS SONHOS
Um brinde ao adeus
Ao adeus que um dia direi
Para sempre se Deus quiser
E se não me faltarem no momento
Força e lucidez para dizê-lo.
Por agora
Sonhos dispersos do verão
Onde estão?
Por que foram embora
Tão cedo
Sem se despedir?
Por que partiram
E partindo
Partiram-me também.
Do meu futuro
Adeus
Pertence somente por ora
Pequena parte
Um breve
Até breve
Que lhes deixo
A vida serve
Para o exercício
Das pequenas gentilezas.
BIG BOEING
Lá vai o avião
por entre a nuvem
a vida passando
eu de olho no vôo.
No caótico infinito
de um céu que já foi católico
a aeronave tem rumo certo.
Eu tenho a janela e os olhos
faltam-me asas mapas motor
e talvez (suportaria?)
maior cansaço da rodovia
(régua e compasso
arrumariam os esboços
de meus espaços?!)
Longe, o avião
(vazio? cheio?),
carregando outros corpos,
desejos aéreos,
para outros portos.
POETAS SÃO FEITIÇOS DE VENTO
Assim me disse Alfayeus
Nesta quente tarde de fevereiro:
Poetas não precisam de vento
São eles o próprio Tempo
E todo seu intento
Consiste em inventar a eles mesmos
O maior poema de um poeta
É a invenção de si mesmo.
UMA IDÉIA VELHA AZUL E DESBOTADA
(a Thiago de Mello)
Os temas de sempre
Continuam como o sempre
Amor desamor solidão
Criança lembrança
Homem mulher
Operário Patrão
O ser ou não ser
E o tentar esquecer
Olhando da varanda
Apenas uma palavra
Não sei por onde anda:
Liberdade!
Durante tanto tempo
Em verso e prosa cantada
Desapareceu num repente
Ter-se-á a profecia cumprido
Do grande poeta Thiago?
Já chegou a manhã da liberdade alcançada?
Ou o caso é bem diferente
E por toda essa gente
A liberdade não é mais desejada?
