Maria Hilda

Santos (SP) - Brasil


Brasil


AMANTE ESPERADO

Meu corpo desnudo por alvos lençóis embalado,

Dormindo te sonha, amante desejado,

Que me despe os seios e o néctar suga,

E que me deixa em estranha fuga...

Dei-me a ti como as flores se dão ao sol.

Tiraste meus véus, liberaste da casca o caracol,

Expuseste meu cerne, saciaste meus anseios,

Com um prazer tirado de estranhos veios...

Rompeste o casulo onde vivia em solidão...

A avidez de tua boca despertou do longo sono,

A flor do prazer, adormecida em abandono,

Com suspiros e murmúrios de forte emoção...

Quero-te amante querido, ardentemente esperado,

Sem ti sou um cordeiro a espera de ser imolado,

Pois tenho a carne trêmula de tanto desejo,

De sentir os toques e a umidade do teu beijo...


REJUVENESCER...

Depois de longa espera,

despertaste a fera,

no leito da solidão, adormecida...

Refloresceu a vida...

Enlaçaste-me com teus braços e,

trêmula, deixei-me guiar

tal qual cego sem orientação

e, como a Salomé bíblica,

em bandeja de prata,

entreguei-te meu coração...

Teus lábios, dois favos de mel,

buscaram os meus e gota a gota,

destilaram palavras de amor,

convertendo-as em néctar,

alimentando minha alma...

Assim como Zeus procurou Leda,

entoaste teu canto de cisne...

Renasceu a mulher...

Acendeste o sagrado lume da paixão,

tornei-me, por teus beijos, ansiosa...

Não sou mais temerosa,

desabrochei como a rosa...

Inalei teu perfume...bebi do teu cálice...

Embriaguei-me. Ri...chorei... não de dor...

Pus-me de joelhos diante

do altar do amor...

Fizeste-me amante...amada...

E não desejo mais nada.

Nesta idade avançada...

Quem diria: REJUVENESCI!!



QUEM É VOCÊ...?

 
 

Quem é você...?

Que mexeu com meus sentimentos,

reacendeu a chama esvaecida,

iluminou a escuridão dos meus dias...

Quem é você...?

Que na sombra dos meus pensamentos se esconde,

que tornou os sonhos possíveis,

porém, quando o chamo não responde...

Quem é você...?

Que acelerou meu coração,

tirou-me a razão,

encheu-me de esperança,

Mas, furta-me sua presença...

Quem é você...?

Tecelão de sentimentos que, com belas palavras

emaranhados teceu,

com fios dourados entrelaçados,

enredando-me a alma...

Quem é você...?

Que surgiu do nada como um espectro

E de mansinho meu corpo tomou...

Mesclou seu prazer com minha solidão,

fortalecendo-me a alma combalida...

Quem é você...?

Que os meandros de minha feminilidade explorou,

que versos poéticos, à luz da Lua, cantou

e uma saudade dolorida deixou...

Quem é você...?

Homem inacessível,

aos meus olhos, invisível,

e tão presente em minha pele...

Quem é você...?


DESEJO OCULTO

 
 

Queria ser o vento forte que vem do norte.

Queria desarrumar teus cabelos,

Expor teus segredos,

Levar teus medos...

Ah, como eu queria ser...!

Queria ser a rosa de um jardim celestial,

Desabrochar de madrugada, soltar diáfanas pétalas,

Exalar suave perfume e,

Ouvir teus arrebatados queixumes...

Ah, como eu queria ser...!

Queria ser o casulo, que o mistério da vida oculta,

Explodir em magnífica borboleta,

E, levar-te em asas irisadas,

Para o éden dos meus desejos...

Ah, como eu queria ser...!

Queria ser a ponte sobre o rio de tuas lágrimas...

Ser o barco que singra esse rio,

Transportar-te para a margem segura do meu coração...

Secar teus olhos com meus beijos...

Ah, como eu queria ser...!

Queria ser um caminhante,

Seguir teus passos toda vida,

Calcar os espinhos do caminho,

Para ter o teu amor... o teu carinho...

Ah, como eu queria ser...!

Queria ser a água bendita,

Quando o sol calcinante da dor,

Os teus sentidos turvar,

E, tua boca ressequida, por ela ansiar...

Ah, como eu queria ser...!

Queria ser o oásis onde buscarás refrigério

Quando teu corpo, cansado de vagar,

Pelo deserto da solidão,

Ansiar pela brisa refrescante

De um amor perene...

Ah, como eu queria ser...!



¿Quién eres Tú?

¿Quién eres tú mujer de rara belleza

que tiene en la voz sonidos de lira

y el cuerpo esculpido en angelical esbelteza

que mis ojos encantados miran?

¿Quién eres tú mujer de negra cabellera,

con la frente altiva de oro ceñida

que tiene en las hermosas caderas,

cadencias de eterna habanera?

¿Quién eres tú mujer desnuda

de senos blancos como la nieve

que a mí me ofrece certidumbre y duda

de un amor eterno o de pasión breve?

¿Quién eres tú mujer ruiseñor

de tierras lejanas venida

trayendo en las alas escondida

la promesa de un gran amor?

¿Quién eres tú mujer de tantas lágrimas perdidas

que conserva en tu mirada estrellas encendidas

y el fuego del deseo ardiendo en tus entrañas

y, cuando mis manos te tocan, me extrañas?

¿Quién eres tú?