Novo Hamburgo (RS) - Brasil
Gira, mundo!
Amor de longe, onde já se viu?
Quero, nas ondas, de ponta a ponta,
cachoeira-arrepio, placidez de rio...
pois até político menos cortês já o sentiu!
Sorvo folguedos do amor aconchego,
fresca gota sabor de sereno ...
minha flor... meu nego ...
Amor rochedo inteiro e forte,
com cheiro morno de vento norte!
Pão celeste, café com leite,
manteiga e mel de leste a oeste,
nordeste a sul! Dileto mundo,
que veste a fome e engole o nu!
Este quero! Amor de perto
completo em tudo!
Onde já se viu, amor de longe,
só de arrepio?
Ao ouvir-me, numa esquiva nesga da noite
pulou um grilo em piruetas.
Olhou-me! Não fugiu, fez caretas,
riu e depois sumiu!
Parecia dizer-me com escarninho:
"Amor arrepio fica no ermo, lá longe no horizonte,
bem além, atrás dos confins e ninguém viu,
apenas sentiu!"
- Volta, aqui, me explica tudo,
tintim por tintim, seu grilo abelhudo!
Mentiroso! Quedou-se mudo!
- Ora, amor de longe, onde já se viu?
Isto não existe! - Gira, mundo! Gira!
Releve, sinto febre! Deliro hirta de arrepios!
maio/2002
Anônima
Não tens nome, és abandono,
sensação de vazio, arrepio,
cheiro frio, medo macio...
Na realidade, de verdade,
és calma e consolo.
No mundo és legado
comum a todos!
Vaga do passado
trazida ao presente,
assumindo, assinas,
timbras o sinete,
nome e sobrenome,
dos suspiros dados.
És anônimo e fiel espaço,
travo ou favo
no gosto de um sonho!
Saudade é teu nome?
OlgaMatos nov/2001
